quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

À maneira de Vieira...

Sermão a um ex-namorado
Amor é como a lua, quando não cresce mingua.”


I
Tu, meu ex-namorado, dizes que sou a culpada de tudo mas, no fundo, sabes que ambos somos culpados pelo ponto final na nossa relação. Será que não me soubeste compreender ou eu não me soube exprimir? Será que eu me soube exprimir e tu não quiseste compreender? Será que eu não me quis expressar da melhor maneira e tu não conseguiste compreender? Será que eu não me quis exprimir correctamente e tu não tentaste compreender-me? Será que os sentimentos mudaram e não nos apercebemos disso? Não é tudo isto verdade? Talvez sim, talvez não.
Qual será a solução para este nosso dilema? Tentarmos de novo e ser felizes ou perdermos este sentimento para sempre?
A nossa história começou muito bem. Namorámos mais de cinco anos, e sempre nos apoiámos em tudo; o que terá corrido mal desta vez? De uma coisa eu tenho a certeza… o amor nunca nos faltou em nenhum momento da nossa relação, verdade?...


II
Em todos os homens existentes na terra, nós, mulheres, destacamos duas virtudes comuns a todos vós.
A coragem é uma virtude que os homens possuem. Demonstram-na nas situações mais extremas e adversas e de mil e uma maneiras. Os soldados da paz, por exemplo, evidenciam esta qualidade todos os dias, quando são chamados para socorrer quem mais necessita da sua ajuda. Os polícias trabalham todos os dias em prol da nossa segurança, arriscando muitas vezes a sua própria vida. Poderia referir muitos mais exemplos que comprovassem o que digo, mas estaria a tornar-me maçadora.
Outra das vossas melhores qualidades é a vossa protecção em relação aos vossos entes mais queridos. Está no vosso sangue! O instinto afectivo em relação, por exemplo, aos vossos filhos, conduz-vos à protecção contra os perigos que espreitam em cada esquina. Esta vossa característica também se manifesta quando necessitais de proteger as vossas amadas, de protegê-las dos perigos da vida e, muitas vezes, preferis ficar com o fardo pesado e vê-las felizes, do que vê-las sofrer.
Foi uma das qualidades que me levou a apaixonar-me por ti e que ainda hoje me fascina…

III
Ser trabalhador é uma grande qualidade tua, que na tua área, arquitectura, é uma virtude indispensável. Sem todo o teu trabalho, nada do que tens hoje seria possível. Aliás, foi graças a todo o trabalho a que te deste que me conquistaste. Porque com este meu feitio difícil, sem trabalho nada conseguirias.
Mesmo depois de tantas discussões, tantos arrufos, tantas insinuações, houve uma qualidade que nunca te faltou, a sensibilidade. Sempre foste sensível tanto nas situações mais dramáticas e difíceis, como nas mais triviais e, por isso, louvo-te.
Há ainda que salientar a tua beleza, que me encantou desde o primeiro momento em que te vi. E não falo apenas dos teus lindos olhos verdes, do teu cabelo louro, da tua pele macia… Nunca conheci ninguém assim e foi, por essa razão, que te amei e ainda te amo. Como diz o ditado popular, o que está por fora não interessa, apenas interessa o que está por dentro. Porém, no teu caso tudo importa, és belo tanto por fora como por dentro.
Terminar o nosso namoro foi uma decisão muito complicada, tentei pesar os “prós” e os “contras”. E apesar de todas estas tuas qualidades, foi preciso terminar a nossa relação. Tivemos tempo para pensar no que é realmente importante e, quem sabe, apagar o “ponto final” e colocar uma “vírgula” no nosso amor…


IV
Mas, como sabemos, nada é perfeito e todos nós temos defeitos. Por isso, não vou acabar o meu discurso sem falar nos defeitos comuns a todos vocês, homens, e nos teus em particular.
Começo pela presunção dos homens que é, ao que me parece, demasiadamente exagerada. É certo que alguns homens não a possuem, pois existem sempre excepções à regra. Mas toda a presunção que vejo dentro de vós deixa-me bastante irritada. Sei que alguma vaidade pode ser benéfica para a nossa auto-estima, mas em exagero só nos faz parecer aquilo que não somos.
Outro dos vossos defeitos é o machismo; essa vossa ideia de que sois superiores a nós, mulheres, e que, por isso, deveis ter direitos que nós não temos, é totalmente descabida. Como é possível que alguns de vós (não muitos, felizmente), ainda penseis que o lugar da mulher é em casa a tratar dos filhos e da lida da casa? É um pensamento retrógrado e que em nada contribui para um bom relacionamento entre homens e mulheres.
Essa vossa ideia de superioridade leva-vos, por vezes, a maltratar as mulheres. E são tantas e de todas as classes sociais as mulheres maltratadas, espancadas, violentadas pelos seus companheiros!


V
Passando agora ao particular, aos teus defeitos, quero dizer-te que o ponto final da nossa relação me custou imenso, mas não foi de ânimo leve que tomei essa decisão. A tua insensibilidade em relação aos meus problemas e dúvidas provocou em mim uma sensação de vazio, que até hoje não consegui preencher. Essa insensibilidade foi desvanecendo, foi minando a nossa relação.
O meu desgosto contigo não se ficou apenas por esta tua incapacidade de entendimento; a tua intolerância para comigo surpreendeu-me pela negativa, pois as tuas atitudes egoístas, em relação às minhas esperanças, e aos meus medos, desiludiram-me totalmente, e a minha alma e o meu coração escureceram.
O teu ciúme dos meus amigos também me entristeceu muito. O facto de não confiares em mim e de não me teres dado liberdade para aquilo fazer o que eu mais gostava, fez com que a revolta e o vazio fossem crescendo dentro de mim…
Lembras-te de quando acabei o meu curso e andava à procura de emprego? Eu andava completamente de rastos, porque não conseguia encontrar um emprego que nos pudesse dar estabilidade, mas tu, em vez de me apoiares e ajudares a procurar um emprego, não me deste qualquer importância. Doeu muito!




VI
Depois de todas estas palavras que te disse, cada uma profundamente sentida, espero que as guardes no teu coração e, acima de tudo, que te lembres de todos os momentos que passámos, tanto bons como maus.
Admito que também errei em muitas situações, não te apoiei sempre, fui um pouco egocêntrica, não consegui por vezes compreender-te da melhor maneira, mas qual seria a piada do Mundo se fôssemos perfeitos?
Mas estas palavras serviram para eu desabafar e, sobretudo, para que reflictas porque, afinal de contas, continuas a ser o meu melhor amigo. Talvez que estas palavras também sirvam para aliviar esta pressão que existia entre nós. Embora tenha sido um desabafo sobre tudo o que me atormentava desde que “acabámos”, o que gosto e o que não gosto tanto em ti, quero que saibas que ainda acredito.
Que a solução para este nosso problema, talvez não seja a separação; sinceramente acho que merecemos uma segunda oportunidade… o nosso amor exige-nos isso…

Por:
Joana Couceiro, n.º 9
Márcia Andrade, n.º 15
11.ºA

1 comentário:

paulofaria disse...

Parabéns pelo trabalho notável que têm desenvolvido.